Fundadora do projeto Mães às Claras.
Setembro. O mês dos recomeços, do regresso às aulas, dos cadernos novos e daquele misto de entusiasmo e ansiedade que paira no ar.
Para muitas famílias, o regresso às aulas é um período de grande agitação. Se notaste que os teus filhos andam mais irritadiços, que as discussões entre irmãos se tornaram mais frequentes e que a paciência parece ser um recurso escasso aí em casa, respira fundo. Não estás sozinha!
Esta fase de transição é exigente para todos, mas especialmente para as crianças mais sensíveis, com ansiedade ou que simplesmente sentem tudo com uma intensidade avassaladora.
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A mudança de rotinas, os novos professores e as novas expectativas podem ser esmagadores, e muitas vezes manifestam-se através de comportamentos que pensávamos já terem sido ultrapassados.
Recentemente, li um artigo que me deu alguma luz e compreensão sobre este tema. A autora partilha estratégias práticas não só para ajudar os nossos filhos a navegar esta fase, mas também para nos ajudar a nós, pais, a manter a sanidade. Achei as dicas tão úteis que não podia deixar de as partilhar aqui no blog.
Inspirado nesse artigo, aqui fica um resumo detalhado das 12 estratégias que podemos adotar para tornar este regresso às aulas um pouco mais suave para todos.
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12 dicas de ouro para um regresso às aulas mais sereno
1. Para de pensar no pior cenário
Quando vemos os nossos filhos a dar um passo em frente e dois atrás, é muito fácil cair na espiral de pensamentos negativos (“isto nunca vai melhorar!”, “será sempre assim?”). A autora aconselha a travar essa tendência. Fala com outros pais, partilha as tuas angústias e tenta rir-te dos teus medos. Lembra-te: é uma fase, não uma sentença para a vida.
2. Não alimentes o “Monstro” da frustração
Muitas vezes, uma criança que está a ter um comportamento difícil está, na verdade, a pedir mais atenção e carinho, ainda que da forma mais desajeitada possível. Quando o teu filho “despejar o balde emocional” à tua frente, o nosso primeiro instinto pode ser reagir com a mesma frustração. A dica é tentar manter a calma. Por vezes, um abraço inesperado pode desarmar a “besta” muito mais eficazmente do que um sermão.
3. Observa mais, intervém menos
Nem todas as discussões ou resmunguices precisam da nossa intervenção. A autora sugere que observemos mais e deixemos que os irmãos resolvam pequenos conflitos entre si. Da mesma forma, se o teu filho está a “bufar” com os trabalhos de casa, espera que ele te peça ajuda. Dar-lhes espaço para gerir pequenas frustrações é também uma forma de os capacitar.
4. Responde com calma, não reajas a quente
Esta é talvez uma das dicas mais difíceis, mas também das mais poderosas. Reagir é impulsivo, é deixar que as nossas emoções tomem conta. Responder é fazer uma pausa, respirar fundo e agir de forma consciente e empática. Uma resposta calma valida os sentimentos da criança sem alimentar o caos.
5. Confia no teu instinto para manter os limites
Mesmo numa fase de maior sensibilidade, as crianças precisam de limites para se sentirem seguras. Se o teu filho está a testar as regras de forma clara, o teu instinto vai alertar-te. O truque é seres firme na regra, mas sem entrares na batalha emocional que ele pode estar a tentar criar. Mantém a regra, mas não mordas o isco da provocação.
6. Antecipa o stress e prepara-te
Nós conhecemos os nossos filhos melhor que ninguém. Se já passámos por transições difíceis antes, provavelmente temos uma “caixa de ferramentas” de estratégias que funcionaram: talvez um quadro de rotinas, uma conversa ao final do dia ou um sistema de recompensas. Recupera o que já funcionou no passado. Não é preciso inventar nada novo.
7. Manhãs sem pressa fazem a diferença
A pressa é uma fonte gigante de stress para pais e filhos. Durante as primeiras semanas de regresso às aulas, tenta levantar-te 15 minutos mais cedo. Ter tempo extra para os imprevistos (o sapato que desaparece, o leite que se entorna) pode mudar completamente o ambiente das manhãs e permitir que todos comecem o dia de forma mais positiva.
8. Um recomeço suave, sem pressões
Setembro não traz só o regresso às aulas, mas também o recomeço de todas as atividades extracurriculares. Para uma criança que já está a lidar com a adaptação escolar, mergulhar logo em treinos e outras aulas pode ser demasiado. Se possível, adia o início das outras atividades por uma ou duas semanas para que a criança possa focar-se numa mudança de cada vez.
9. Protege o tempo de descanso
O cérebro de uma criança gasta imensa energia a adaptar-se à escola. A autora recorda que, especialmente nos primeiros dias, a escola já é suficiente. Evita planear idas às compras ou outras atividades depois das aulas. Protege o tempo livre e o “não fazer nada”, pois é crucial para que eles possam processar e recarregar baterias.
10. Dá um nome ao que todos estão a sentir
Às vezes, a coisa mais simples é a mais eficaz. Dizer em voz alta algo como “Sei que esta semana está a ser difícil para todos, estamos a habituar-nos às novas rotinas” pode ser um alívio enorme. Valida os sentimentos da criança, mostra-lhe que o que ela sente é normal e dá-lhe palavras para as suas emoções.
11. Cria um pequeno ritual de conforto
No meio da mudança, ter algo estável e previsível é como ter uma âncora. Cria um pequeno ritual diário: pode ser ler uma história antes de dormir, ouvir a mesma música animada no carro a caminho da escola ou partilhar um iogurte ao lanche. Este pequeno momento de consistência dá uma enorme sensação de segurança.
12. Sê flexível e reduza as expectativas (por agora)
Esta dica é para nós, pais. A casa pode ficar mais desarrumada. O jantar pode ser mais simples. A nossa paciência pode esgotar-se mais depressa. E está tudo bem. Não estamos a falhar. Estamos a adaptar-nos. Dá a ti mesma e à tua família a permissão para não serem perfeitos. A exigência pode voltar daqui a umas semanas, quando a rotina assentar.
E se a dificuldade persistir?
Apenas uma nota final importante: se a ansiedade ou as dificuldades de comportamento do teu filho se prolongarem por muitas semanas após o regresso às aulas e começarem a afetar o seu sono, apetite ou vida social, talvez seja altura de procurarem apoio. Falar com o professor, o psicólogo da escola ou o pediatra é sempre um bom primeiro passo.
Espero que estas dicas vos sejam verdadeiramente úteis. Este período é uma maratona, não um sprint. Sejamos gentis com os nossos filhos e, acima de tudo, connosco.
Fonte de Inspiração: Artigo “12 ways to ease the back to school transition—for kids with big feelings (and you too)“, publicado originalmente em Motherly.
Fundadora do projeto Mães às Claras.


















































